Reflexão sobre Moda

Gente, mil desculpas por ter sumido. Semana passada teve o Pense Moda (aqui), evento idealizado e produzido por três super amigos meus (Babu Bicudo, Cami Yahn e Marcelo Jabur) e acabei nem escrevendo nada aqui por pura falta de tempo. Sorry. Fora que durante o evento acabei só vendo duas palestras e meia porque estava cuidando do supermegahiper stylist Nicola Formichetti (clique aqui pra ver o blog dele) e do fervido fotógrafo Mariano Vivanco (aqui).
Os dois foram convidados pra dar palestras no Pense Moda e aproveitaram a vinda à São Paulo pra fotografar um editorial pra Dazed & Confused (aqui) e eu tive o prazer de produzir algumas marcas brasileiras pra essa matéria. A idéia era que fosse um editorial de moda masculina com looks das últimas coleções. As roupas e assistentes do Nicola (Anna e Sam) vieram de Londres (tinha tipo Dior, Kenzo, Armani, Galiano, Burberry - só as finas...), só que na última hora entrou a (cada vez mais linda) Ana Claudia Michels então acabei produzi novos estilistas + beachwear (a pedido do Nicola) para vesti-la, fora algumas peças de carnaval (cabeças, braceletes e afins) para complementar a matéria.
O mais legal de tudo foi poder acompanhar a foto e ver o Nicola em ação (ainda mais pra mim que trabalho com isso e sou super fã do trabalho dele!). Depois de um dia intenso de trabalho no feriado, acabei tirando algumas conclusões:
- Na palestra do Nicola ele disse que as revistas servem para experimentarmos novas idéias e vontades e tudo bem se essas não funcionam sempre. Foi exatamente isso que senti durante a foto da Dazed. Os looks eram montados ali na hora, sem grandes dramas (o Sam esqueceu a parte de cima de um look que tinha que ser fotografado e o Nicola nem piscou...) e sempre em parceria com o fotógrafo (tipo ah, vamos fazer uma foto com um menino sem camisa e a Ana de vestido), algo que eu acho SUPER importante e tento sempre fazer quando fotografo um editorial.
- Pensei também no que foi dito na palestra dos stylists, fotógrafos e editores (que só vi o finalzinho) que se não me engano quem puxou a conversa foi o Alcino Leite Neto, editor de moda da Folha de SP, de que tudo que é produzido aqui é muito tratado e cuidado (estética- e fotograficamente). Nada mais é deixado ao acaso, a inspirações e insights momentâneos. E acompanhando o editorial da Dazed que percebi essa enorme diferença. Lá, tudo estava aberto ao acaso, à experimentação e aqui infelizmente não trabalhamos dessa maneira. Temos pouquíssimas revistas e estas têm menos verba ainda, conseqüentemente estas não se podem dar ao luxo de tentar uma coisa e depois não rolar, preferindo apostar no certo por medo de ter que refazer tudo e não ter tempo, nem grana (se tivessemos mais revistas também seria mais fácil, não?)...
Assim acabamos entrando nesse circulo vicioso de que não podemos fazer trabalhos inesperados, mas se não os fazemos em revistas, onde vamos fazer?? Fora que se não tentarmos uma coisa, como vamos saber se ela funciona ou não? Acho ótima a iniciativa de blogs que publicam editoriais (como o Moda Sem Frescura, Descolex e Hypercool), é um começo pequeno, mas fundamental.
Engraçado que estava falando sobre isso com o Ricardo Oliveros (aqui), que eu não sei se tenho paciência pra ver o mercado de moda brasileira amadurecer para termos mais revistas, trabalhos mais criativo, menos influências do que é feito lá fora e mais confiança nessa nova geração de stylist na qual eu me incluo (junto com Heleno Jr, Lelê Toniazzo, Thais Mol, entre outros). Disse pra ele que às vezes tinha vontade de mudar de profissão por causa disso e ele me deu uma resposta ótima: "se gente boa desiste da profissão quem acaba ganhando são os truqueiros porque ai não tem-se um outro parâmetro, entende?". Pois é. O Paulo Borges já tinha falado sobre isso na primeira edição do Pense: precisamos todos ter paciência que de pouquinho em pouquinho vamos pra frente. Agora resta ver se eu, capricorniana ansiosa, tenho essa paciência toda... Espero que sim =)
Ah, e o editorial é pra edição de janeiro da revista. As fotos ficaram lindas, lindas e posto elas aqui sem falta!
Dai também tinha feito vários filmes fofos do Nicola falando, mas o meu computador deu um supermegahiperpau e pelo que tudo indica acho que perdi tudo. SACO. Vide também a falta de posts. Tenho que resolver essa situação o quanto antes...










Adorei que a Art + Commerce lançou um quebra-cabeça com uma foto do Steven Meisel. Ao todo são 1’000 exemplares e a imagem em questão é do belíssimo editorial que ele fotografou pra Vogue Itália chamado “Patterns” (estampas). O quebra-cabeça tem 1000 peças, custa U$ 750 e é assinado pelo próprio. Chique.















