Sem Retoques, nem Photoshop

Jürgen em autoretrato com o seu filho
Entrevista ótima e bem controversa com o Jürgen Teller na NY Mag (aqui). Na matéria (gigante, por sinal) ele fala que é totalmente contra retoques (nada de Photoshop!!) e que ele gosta de mostrar o lado “real” das coisas. Segundo o fotógrafo, “grande parte das fotos de moda são feitas por gays achando mulheres sexy, o que no final das contas não é nada sexy, pelo menos não para um homem heterosexual. A modelo está tão retocada, tão manipulada, sem nenhuma expressão humana, e no final das contas você não quer comer uma boneca”. (Lembram das fotos da Lily Cole pelada? São dele e estão aqui).
O Dennis Freedman, diretor criativo da W (lembram do editorial com a Tilda Swinton? Aqui ó) fala algo super interessante, que “o Jürgen mostra a futilidade de tudo isso– de tentarmos parecer lindos, a futilidade de levantar os peitos caidos ou de caber dentro de um certo vestido. Muita fotografia de moda constrói um universo fake e tenta manter esse mito. As fotos dele passam direto por isso, mas não são deprimentes. O que realmente é deprimente não são as fotos de Jürgen, mas a estúpida objetificação das mulheres como cabides de roupa que posam e usam roupas e não há nada naquela imagem fora a intenção de venda”. Bafo, bafo.

Vivienne Westwood em 2007, Teller posando de irmão da Cindy Sherman e Victoria Beckham dentro da sacola, ambas campanhas do Marc Jacobs
A matéria continua falando de sua chegada em Londres (ele é Alemão), do seu casamento com a top stylist Venetia Scott e que no começo eles só faziam dois editoriais de moda por ano, com modelos novas (a Kate Moss, no caso) e roupas vintages já que as grandes marcas não emprestavam nada pra eles...
Outra ótima história é que ele conheceu o Marc Jacobs (pra quem ele fotografa campanhas até hoje) porque o Marc queria que a Venetia fizesse o styling de um de seus desfiles. Eles foram jantar e o Marc conheceu o Jürgen quando foram fumar um cigarro juntos. Segundo o próprio Jacobs, “eu vi no trabalho do Jürgen tudo que estava me interessando na época: a imperfeição do que é real”.
Mas a melhor de todas as histórias eu não vou contar mas envolve a Charlotte Rampling, uma suite no Hotel de Crillon e uma bermuda prateada – tem que ler pra saber!!
Excelente. Clique aqui para ler tudo.
Ah, e quando eu morava em Londres eu o conheci. Quem me apresentou foi a falecida Isabella Blow que me fez falar em alemão com ele... Lembrando de tudo agora foi bem engraçado, mas na época morri de vergonha =)